10/07/2010

Ação e Reação



Quando adolescente resgatava gatos e cachorros na rua, deixando-os em casa até que conseguisse um novo lar. Ou pelo menos, que ficassem fortes e sadios novamente, afinal, eu não tinha como ficar com todos.
Ainda com esse pensamento, resolvi adotar o Tigre.
Ele vinha de um lugar com muitos gatos e dentre todos foi o que mais me chamou a atenção, mesmo quando tantos outros tentam nos encantar com seus miados e rabos e cabeçadas em nossas pernas.

Na primeira consulta a veterinária perguntou se queria testá-lo e como até então não tinha convivência com doenças terminais não dei muita importância.

Os dois gatos que estavam comigo há 10 anos, nunca tiveram nada de grave. Aliás só o Alemão teve uma vez, antes de completar um ano, infecção urinária e só.

Quatro anos depois, perdemos o Junior.
Não fizemos um exame mais detalhado mas tudo indica que a Felv que o Tigre tinha desde que chegou aqui em casa, foi transmitida para ele.
Meio ano depois, em maio, foi a vez do Tigre.
Na ultrassonografia que fizemos nele, a veterinária chorava a medida que via como foi sofrida a vida daquele pequeno e bravo felino.

Nesse ano, quando o Rock entrou em nossas vidas, antes mesmo de trazê-lo para casa, fomos à veterinária, fizemos o teste para Felv e só deixamos que ele convivesse com o Alemão e a Jean depois que o resultado deu negativo.
A Jean já chegou vacinada.

Há pelo menos 3 semanas o Alemão deu sinais de que está infectado.
Na época em que o Junior morreu  ficamos preocupados com isso, eles já compartilhavam água e comida há quatro anos e a própria veterinária disse não ter o que fazer nesse caso.
Poderíamos fazer o teste para ter certeza e aguardar quando a doença se manifestasse. Mas como o Alemão nunca gostou muito do Tigre e não ficavam muito juntos, tinhámos esperança que ele estivesse imune.
Quando os sintomas começaram a aparecer fizemos o teste de Felv que deu positivo.

Por mais que eu saiba que o Tigre teve vida digna nos quatro anos que esteve conosco, que o Junior usufruiu elegantemente dos 13 anos que ele nos deu o privilégio de conviver e que o Alemão ultrapassou os 15 anos, quando a expectativa é que ele nem chegasse a completar um ano, ainda assim me sinto imensamente culpada por tudo o que aconteceu, pela minha ignorância e irresponsabilidade.

Escrevo isso aqui não para amenizar o que estou sentindo mas com a intenção de alertar quem pensa hoje em adotar outro animal, como é importante fazê-lo de forma consciente e respeitosa.



A ilustração (de Angela Lago) acima é a capa do livro "Um gato chamado Gatinho", do poeta e apaixonado por gatos Ferreira Gullar.

10 comentários:

Gata Lili disse...

não se culpe. você foi um anjo na vida desses gatinhos todos. pode ter certeza que eles são muito gratos a você. aliás, pergunte-se: o que seria da vida deles se você não tivesse entrado em suas vidas? qual vida você acha que eles escolheriam: a que tiveram com você ou a que teriam sem você? claro que COM você.

Nice disse...

Concordo com a Lili...você fez a diferença, amiga!

Silvia disse...

Cláudia,
que bom que eles encontraram você...
a gente aprende muito com nossos bichos, e cada um vem pra nos ensinar. E com a experiência, você amadurece, é assim...
um abraço bem quentinho... e coragem pra continuar lutando pelo bem!
Bjocas!

Claudia disse...

Lili, Nice e Silvia,

Obrigada pelo apoio e comentários.
Por mais que eu saiba que fui importante na vida de cada um deles, não posso deixar de sentir que poderia ter feito um pouco mais.
bjs

Gisa disse...

Oi amiga! Desculpa não chegar aqui antes, mas também estou enfrentando problemas de saúde do meu cãozinho Flocky. O vet não está conseguindo fazer um diagnóstico, ele está muito abatido e meu coração está apertadinho... Quanto a teus gatinhos, só posso fazer coro com os comentários anteriores. Digo mais, aqui na minha cidade não existem testes para Felv e Fiv (acho que é este o nome). A cada animalzinho que resgatei após tomar conhecimento de tais doenças, só pude rezar para que fossem saudáveis e não contaminassem os demais. Não tive coragem de deixá-los abandonados por medo de uma eventualidade. Alguns podem achar que é irresponsabilidade, mas foi o que meu coração mandou e, cada vez que olho para cada um deles, me sinto em paz e feliz. Sei o quanto estás sofrendo, mas não te culpes, teus filhotes só têm a agradecer todo o amor que dedicaste a eles e foram muito felizes por teres sido sua mãezona. Fica em paz e recebe um grande abraço.

Claudia disse...

Gisa,
Recebi seu abraço e me confortou muito suas palavras.
Obrigada.

Espero que a vet. descubra que o Flocky tem algo sem importância.
Tô na torcida!
bjs

Anônimo disse...

Claudia,

estou na torcida pelo seu Alemão.
Concordo com os outros comentários, vc só fez bem a ele.
bjs

Elisa

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Dri Andrade disse...

Oi Clau,
passei pra dizer q estou de blog novo. ja to te seguindo aqui, agora dá rsrs me segue tbm bjks

INSPIRAÇÕES disse...

Olá !!! Sei que toda perda é muito dificil mesmo , mais você foi muito importante pra ele .... tenha certeza disso! Procure lembrar dele,dos bons momentos e nunca se culpe ele não gostaria disso ... eles são amor recípocro .então tenha boas recordações

Como é feito este teste não sei muito sobre o assunto bjo
tô segindo vc ...