26/01/2011


Acho que esse texto tem tudo a ver com a época do ano, pelo menos para mim.
Com o calor, a maior exposição do corpo na praia e as roupas menores, nós mulheres, e hoje em dia os homens também, queremos estar magrinhos e músculos definidos com dois quilos à menos, pra variar.
Estou no momento trabalhando para perder os meus dois e mais dois que adquiri nas viagens e férias.
Quando estou em casa a opção é comidinha leve, saladas e frutas mas ninguém merece ser torturada pelas vontades e desejos.
Por isso, não deixo de tomar meu vinho (geladinho), comer pizza, comer o que me dá prazer e acabo compensando todos os exageros na esteira, na ginástica e na Yoga.
Mas confesso que tem hora que dá vontade de chutar o balde...


"Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.
Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo o do que tem sido nosso cotidiano.A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.

Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
  As vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago."


Texto da Danuza Leão



3 comentários:

Gata Lili disse...

Olha Claudinha! Esse seu blog é muito gostoso de ler! Eu adoro seus post e tb os textos da Danuza. Um grande beijo!!!

Claudia disse...

Obrigada Lili, adoro quando ^nos comunicamos.
Lambeijocas!

Taís disse...

Muuuito bom esse texto da Danuza! E não é que é verdade mesmo? Tantas conquistas pra gente ficar se privando das belezuras da vida... tsc tsc tsc...
bjos