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23/11/2010

Posso errar?



















Imagem retirada da Revista Marie Claire

Apesar de não achar a revista Marie Claire assim tão interessante, alguns textos são muito bons.
Esse que li no consultório da minha dermatologista, me chamou a atenção por  ter tudo a ver com a mulher moderna, que tem mania de perfeição e sofre por não poder ter controle de tudo: a família, a casa e a própria vida.
Me identifiquei com quase tudo e em especial quando ela fala da roupa certa.



"Há pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com o xampu “errado”. Foi num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de ver que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia nem shopping num raio de 10 quilômetros. A única opção era usar o dois-em-um (xampu com efeito condicionador) do kit do hotel. Opção? Maneira de dizer. Meus cabelos, superoleosos, grudam só de ouvir a palavra “condicionador”. Mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxaguei, fiz a escova de praxe e... surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes — tudo aquilo que meus nove vidros de xampu “certo” que deixei em casa costumam prometer para nem sempre cumprir. Foi aí que me dei conta do quanto a gente se esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa — e a pergunta que não quer calar é: certa pra quem? Ou: certa por quê?

O homem certo, por exemplo: existe ficção maior do que essa? Minha amiga se casou com um exemplar da espécie depois de namorá-lo sete anos. Levou um mês para descobrir que estava com o marido errado. Ele foi “certo” até colocar a aliança. O que faz surgir outra pergunta: certo até quando? Porque o certo de hoje pode se transformar no equívoco monumental de amanhã. Ou o contrário: existem homens que chegam com aquele jeito de “nada a ver”, vão ficando e, quando você se assusta, está casada — e feliz — com um deles.
E as roupas? Quantos sábados você já passou num shopping procurando o vestido certo e os sapatos certos para aquele casamento chiquérrimo e, na hora de sair para a festa, você se olha no espelho e tem a sensação de que está tudo errado? As vendedoras juraram que era a escolha perfeita, mas talvez você se sentisse melhor com uma dose menor de perfeição. Eu mesma já fui para várias festas me sentindo fantasiada. Estava com a roupa “certa”, mas o que eu queria mesmo era ter ficado mais parecida comigo mesma, nem que fosse para “errar”.
Outro dia fui dar uma bronca numa amiga que insiste em fumar, apesar dos problemas de saúde, e ela me respondeu: “Eu sei que está errado, mas a gente tem que fazer alguma coisa errada na vida, senão fica tudo muito sem graça. O que eu queria mesmo era trair meu marido, mas isso eu não tenho coragem. Então eu fumo”. Sem entrar no mérito da questão — da traição ou do cigarro —, concordo que viver é, eventualmente, poder escorregar ou sair do tom. O mundo está cheio de regras, que vão desde nosso guarda-roupa, passando por cosméticos e dietas, até o que vamos dizer na entrevista de emprego, o vinho que devemos pedir no restaurante, o desempenho sexual que nos torna parceiros interessantes, o restaurante que está na moda, o celular que dá status, a idade que devemos aparentar. Obedecer, ou acertar, sempre é fazer um pacto com o óbvio, renunciar ao inesperado.

O filósofo Mario Sergio Cortella conta que muitas pessoas se surpreendem quando constatam que ele não sabe dirigir e tem sempre alguém que pergunta: “Como assim?! Você não dirige?!”. Com toda a calma, ele responde: “Não, eu não dirijo. Também não boto ovo, não fabrico rádios — tem um punhado de coisas que eu não faço”. Não temos que fazer tudo que esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos. Como diz Sofia, agente de viagens que adora questionar regras: “Não sou obrigada a gostar de comida japonesa, nem a ter manequim 38 e, muito menos, a achar normal uma vida sem carboidratos”. O certo ou o “certo” pode até ser bom. Mas às vezes merecemos aposentar régua e compasso."

Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro Mulheres – Por que será que elas..., da Editora Globo.
O título do post é da autora.
Fonte: Revista Marie Claire edição de Fevereiro/2010

05/03/2010

Mulheres e animais



Constatei o óbvio: mulheres gostam mais de animais que homens!
Pelos menos os domésticos.
Ou quem sabe nós demonstramos mais, fazendo questão da sua presença. Seja por adotá-los, por ficarmos indignadas com o descaso como são tratados em nosso pais e em outros lugares no mundo e por muitas atitudes para tentar diminuir essas estatísticas, através de Ongs, associações e outras entidades.

Será que esse elo se dá somente porque a mulher é mais emoção, do que razão?
Mas nos dias de hoje, tivemos que aprender a lidar com nosso lado racional e nem por isso perdemos a ternura, certo?
Será que entendemos melhor a natureza e tudo que está contido nela?
Será que o fato de podermos gerar um outro ser, nos habilita a olhar para os indefesos de maneira protetora?

Talvez no caso dos homens, a herança deixada não permitia esse tipo de sentimento.
Homem pode gostar de animal, desde que seja de grande porte,  poderoso e forte.
Pensando bem, triste herança!
Fiquem atentas mães de meninos (se bem que hoje em dia maltratar animal não é legal!), está em suas mãos mudar esse conceito.

Nunca vi e duvido que alguém tenha visto um grupo de meninas, infernizando a vida dos gatos de rua.
Até hoje me lembro quando uns meninos que moravam perto da minha casa, queimaram vivos filhotes de rato e me chamaram pra ver! Fiquei horrorizada ...e eles rindo da minha cara!

Será que gostamos de animais porque também somos carentes?
Será mais fácil manter afeto com um ser que não tem o dom da palavra? Mas quem tem um gato ou um cachorro, sabe que eles se comunicam e muito bem!
Que fazem pirraça, que tem vontade própria, que as vezes é difícil convencê-los a não fazer determinada coisa.
Diga para um gato que ele não pode subir na cama. Perda de tempo, afinal a casa é dele e é ele que decide o que pode ou não fazer.
Explique para o seu cachorro que ele não pode comer o chinelo e nem fazer xixi em uma peça de roupa quando você sai e não o leva junto!
E mesmo assim, quem tem um gato ou cachorro, sempre acha que pode ter mais um ou pelo menos ajudar a mais um a sair das ruas e ter uma vida decente, certo, Nice, Stela, Gisa, Andrea, Felina, Ana, Claudia, Luzinha, Renata, Nana, Silvia ...e muitas outras que eu ainda não conheço mas sei que existem.
Então qual seria a explicação?